CPI da Funai: ruralista pede indiciamento de antropólogos e procuradores

Ligado .

Relatório representa retrocesso no processo de demarcação de terras.

O rolo compressor da bancada ruralista foi ligado mais uma vez. Na quarta-feira (03), foi divulgado o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Funai e do Incra. Nele, pedidos de indiciamento de antropólogos, procuradores federais, funcionários da Funai, de representantes de entidades e até do ex-ministro da Justiça.

Criada e dominada por ruralistas, a CPI da Funai-Incra tem como presidente o deputado Alceu Moreira (PMDB/RS) e como relator Nilson Leitão (PSDB/MT), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, setor historicamente em conflito com comunidades indígenas.

O parecer de Leitão tem 3.385 páginas, propõe o indiciamento de cerca de 50 pessoas, entre representantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), antropólogos, integrantes do Ministério Público Federal, servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), e de supostos “falsos” indígenas e quilombolas.

O parecer também apresenta projetos de lei, entre os quais um que pede a extinção da Funai. Cita ainda irregularidades na atuação do Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e do Instituto Socioambiental (ISA).

O relatório representa um retrocesso no processo de demarcação de terras, ao tentar acabar com os mecanismos e propor indiciamentos. O PSOL, juntamente com outros partidos, pediu vista ao parecer, que deve voltar a ser discutido na próxima semana.