PSOL e mais 5 partidos protocolam pedido de impeachment de Michel Temer

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Presidente golpista autorizou compra do silêncio de Eduardo Cunha, de acordo com gravações.

O PSOL, juntamente com PDT, PSB, PT, PCdoB e Rede, protocolou na tarde de ontem (18), na Câmara dos Deputados, pedido de impeachment do presidente golpista Michel Temer por crime de responsabilidade.

A base do documento são as denúncias divulgadas na noite de quarta-feira (16) de que Michel Temer autorizou pagamento a Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, cassado ano passado, para manter o silêncio em relação ao envolvimento no esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato. O pagamento da mesada também estaria sendo feito a Lúcio Funaro, operador e doleiro. As revelações foram feitas pelo jornal O Globo, por meio de gravações de empresários da JBS autorizando a compra do silêncio.

Nas gravações, Temer ainda indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver assuntos da J&F, uma holding que controla o frigorífico JBS no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Rocha Loures já foi chefe de Relações Institucionais da Presidência, quando Temer era vice-presidente e assessor especial da presidência após o impeachment de Dilma Rousseff.

O senador e presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), também aparece nas gravações. Ele foi flagrado pedindo R$ 2 milhões aos empresários.

A delação premiada de Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, foi homologada pelo ministro relator da Lava Jato, Edson Fachin, que determinou a abertura de inquérito para investigar Temer, Aécio e Rocha Loures.

O líder do PSOL na Câmara Glauber Braga (RJ) afirmou, em entrevista coletiva logo após a assinatura do pedido de impeachment, que “não existe mais alternativa”. O deputado alegou que “se Temer não renuncia, o povo que vai tirá-lo do poder a partir do pedido de impeachment que está sendo protocolado e que representa a posição de milhões de brasileiros e brasileiras”, fazendo referência ao pronunciamento feito por Temer minutos antes da ação, no qual o presidente ilegítimo reiterou que não iria renunciar.

“Os fatos relatados são claros: obstrução da justiça e compra de testemunha-chave, o Cunha”, avaliou Glauber. O deputado também destaca que os encontros de Temer com os irmãos Batista não constam da agenda do presidente da República, que deve ser publicizada.

O líder do PSOL disse que o pronunciamento de Michel Temer, no final da tarde de ontem, traz enorme gravidade e instabilidade. “Temer não pode achar que a população se convencerá de que fosse única e exclusivamente uma ação humanitária a Cunha. É insustentável sua presença à frente da presidência da República. Ao dizer que não renunciará, Temer só aprofunda a crise política”, afirmou Glauber Braga.

 

PEC das Diretas

A bancada do PSOL defende a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 227/2016, do deputado Miro Teixeira (Rede/RJ), visa alterar a Constituição para garantir que eleições diretas sejam convocadas em caso de vacância do cargo de presidente da República até seis meses antes do fim do mandato. Hoje, isso só acontece até o meio dele, ou seja, dois anos antes de acabar.

O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB/MG), se comprometeu a colocar a proposta em votação na comissão na próxima terça-feira (23) – um dia antes do #OcupaBrasília.

 

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