Para PSOL renúncia de Ronaldo Lima é ato desprovido de ética

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O PSOL considera a renúncia do deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB/PB) ao mandato parlamentar mais um expediente protelatório desprovido de ética, que depõe contra a representação política. Ao contrário das aparências, não se trata de despojamento nem de, como falseou em sua carta pseudo-explicativa o ex-parlamentar, colocar-se, generosamente, sob o "julgamento de seu povo", e sim de uma artimanha para conquistar, definitivamente, a plena impunidade.

    O episódio também revela outras mazelas da nossa precariedade institucional: além do caráter protecionista do foro especial para autoridades, a extrema morosidade da Justiça (o caso tramita no STF há 12 anos!), que tantas vezes tarda e falha, e o descaso do Legislativo, que não amplia a Lei das Inelegibilidades, como está proposto em projetos como o Projeto de Lei Complementar 203/2004, para o qual exigimos imediata apreciação. Sem isso, ficará mantida a possibilidade - cada vez mais utilizada – de processados por crimes graves e até réus confessos disputar eleições e, apesar da "ficha suja", ocupar cargos de representação da população.

    Deputado Chico Alencar, líder da bancada do PSOL na Câmara dos Deputados.

    Brasília, 1 de novembro de 2007.